Com baixa taxa de vacinação, Leste Europeu enfrenta nova onda do vírus

Enquanto diversos países da Europa já imunizaram totalmente mais da 50% dos cidadãos, o Leste Europeu ainda apresenta baixas taxas de adesão às campanhas de vacinação. Com o avanço de uma quarta onda de Covid-19, diversos governos introduziram, na última semana, novas medidas restritivas em função do rápido aumento de casos e mortes.

Na Romênia, que vacinou somente 35,6% da população adulta, foram registradas 225 mortes por coronavírus a cada milhão de habitantes nos últimos 14 dias, de acordo com dados oficiais do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, sigla em inglês). O número é 20 vezes maior ao verificado na Irlanda, por exemplo, país com a melhor taxa de vacinação da União Europeia (UE).

De acordo com o mais recente relatório divulgado pelo Ministério da Saúde romeno, na última terça-feira (26), dos 523 pacientes que morreram em função do coronavírus, 90% não haviam sido vacinados. A média de óbitos é de 412 em sete dias, o que representa um crescimento de 13% em uma semana. Atualmente, mais de 20 mil pessoas estão internadas por causa da doença, quase duas mil em unidades de tratamento intensivo.

A fim de diminuir o esgotamento da rede pública de saúde, os governantes da Romênia anunciaram, na segunda-feira (25), que o certificado de Covid-19 será exigido em todos os centros de compras. Locais de venda de produtos essenciais, como supermercados e farmácias, são a exceção. A circulação nas ruas do país entre as 22h e 5h também está restrita àqueles que se vacinaram, foram testados ou se recuperaram da doença recentemente.

Sérvia: Situação no país vizinho é “catastrófica

Com uma média de sete mil casos por dia e apenas 48% da população vacinada contra a Covid-19, a Sérvia, que faz fronteira com a Romênia, tem, segundo dados oficiais, 6,789 pessoas com coronavírus ocupando leitos nos hospitais do país, incluindo mulheres grávidas, bebês e crianças entubadas. Se comparado ao mesmo período do mês passado, o número de pacientes hospitalizados subiu 26%. 

O aumento da demanda por tratamento médico levou as autoridades a decretarem, na semana passada, a exigência dos documentos de vacinação, recuperação ou atestado negativo para a doença em estabelecimentos que funcionam em ambientes internos. A norma, no entanto, só é necessária depois das 22h. 

O acúmulo de mortes por coronavírus na Sérvia chega a 420 em sete dias. Ana Brnabić, primeira-ministra do país, caracterizou a situação como “catastrófica”. A líder afirma que, após o período de 10 dias, as regras serão revistas e, caso necessário, medidas mais rigorosas serão adotadas para tentar frear o avanço descontrolado da pandemia.

O ministro da Saúde sérvio, Zlatibor Lončar, atribuiu o ritmo lento da vacinação às férias de verão e pediu aos jovens que busquem os postos de imunização urgentemente, já que existem vacinas para toda a população: “Para não sermos surpreendidos por algo que certamente vai acontecer, e essa é uma nova onda, devemos aderir à campanha de vacinação dos jovens na Sérvia”, apelou Lončar.

Bulgária estuda o envio de pacientes para países da UE

A Bulgária, região que menos vacinou na União Europeia, anunciou, no final de semana, que as autoridades já conversam sobre a transferência de pacientes com Covid-19 para hospitais de países do bloco, uma vez que a capacidade dos hospitais locais está praticamente esgotada.

De acordo com dados divulgados pelo governo búlgaro, 6,816 novos casos foram confirmados nas últimas 24h, um crescimento de quase mil positivos em apenas um dia. Dos 1,107 pacientes recentemente hospitalizados, 984 não foram vacinados.  Segundo o levantamento da ECDC, apenas 25% da população adulta da Bulgária recebeu as duas doses da vacina contra o coronavírus. 

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