Rússia convoca militares da reserva para guerra na Ucrânia

Serão convocados 300 mil reservistas. Presidente Vladimir Putin afirmou que vai financiar a produção de armas e equipamentos militares adicionais. Foto: The Kremlin

No primeiro pronunciamento nacional desde o início da guerra na Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, recrutou os reservistas para servirem no território ucraniano. A ”mobilização parcial”, decretada nesta quarta-feira (21), foi justificada pelo líder do Kremlin como necessária para ‘’proteger a soberania, segurança e integridade territorial da Rússia’’.

Ao menos 300 mil militares da reserva serão convocados, conforme afirmou o ministro da Defesa da Rússia, Sergey Shoigu, em entrevista exclusiva à TV Vesti24, mídia controlada pelo governo do país. Segundo as ordens de Putin, as atividades devem começar imediatamente.

Os novos combatentes vão passar por treinamento antes do envio às unidades, que, de acordo com informações oficiais russas, se estendem por mais de mil quilômetros ao longo da Ucrânia. A medida libera do chamado todos com histórico de dispensa do exército por motivos de saúde e também os que atingiram a idade limite para o serviço militar.

No pronunciamento, previamente gravado e divulgado nesta quarta-feira (21), após acusar as nações do Ocidente de ”chantagem nuclear”, Vladimir Putin avisou que vai usar todos os meios à disposição para ‘’proteger’’ a Rússia em caso de ameaça à integridade do país: ‘’A nossa independência e liberdade serão asseguradas’’, garantiu o presidente. Na ocasião, o líder russo afirmou ainda que controla, atualmente, as regiões de Donetsk e Lugansk, Kherson e Zaporozhye no território ucraniano, ao mesmo tempo em que ordena o aumento urgente da produção de armas e equipamentos militares com verba do governo. 

A Ucrânia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ainda não fizeram nenhum comunicado sobre o discurso de Putin. O Ministério da Defesa do Reino Unido, por sua vez, condenou a manobra realizada pelo Kremlin: ‘’A quebra do presidente Putin de suas próprias promessas de não mobilizar partes de sua população e a anexação ilegal de partes da Ucrânia, são uma confissão de que sua invasão está falhando. Ele e seu ministro da Defesa enviaram dezenas de milhares de seus próprios cidadãos para a morte, mal equipados e mal conduzidos’’, destacou Ben Wallace, secretário de Estado da Defesa britânico.

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