Pandemia: OMS considera ritmo de vacinação na Europa “inaceitavelmente lento”


O ritmo de vacinação contra a Covid-19 na Europa foi criticado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é considerado “inaceitavelmente lento”. De acordo com dados do Centro Europeu para Prevenção e Controle de doenças, até esta quinta-feira (1º), 70,6 milhões de doses foram administradas em 30 países europeus. A média da população que recebeu a primeira dose é de 14,2%, enquanto 5,61% dos residentes europeus concluíram também a segunda etapa de imunização.

“As vacinas são nossa melhor saída para essa pandemia. Eles não apenas funcionam, como também são altamente eficazes na prevenção de infecções. No entanto, o lançamento dessas vacinas é inaceitavelmente lento. E, enquanto a cobertura permanecer baixa, precisamos aplicar as mesmas medidas sociais e de saúde pública que aplicamos no passado, para compensar os atrasos nos calendários (de vacinação)”, enfatizou o Diretor Regional da OMS para a Europa, Dr. Hans Henri P. Kluge, em declaração.

Kluge enfatizou que o caminho agora é acelerar o processo aumentando a fabricação de vacinas e reduzindo as barreiras para a administração de doses com a utilização de todos os imunizantes em estoque no momento. A OMS enfatiza que os primeiros sinais do impacto positivo da vacinação estão refletidos em dados do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra (PHE, em inglês). O órgão sugere que as vacinas salvaram, no mínimo, seis mil vidas de pessoas com 70 anos ou mais desde o início da vacinação em dezembro de 2020.

Mais vacinas na União Europeia

Nesta quinta-feira (1º), o Conselho da União Europeia (UE) chegou a um acordo de solidariedade para distribuir cerca de três milhões de vacinas aos Estados-Membros mais necessitados. Com isso, Bulgária, Croácia, Estônia, Letônia e Eslováquia receberão cerca de 12,8 milhões de vacinas proporcionalmente à população de cada país.

A Áustria, República Tcheca e Eslovênia vão dividir proporcionalmente 10 milhões de doses. Já a Bélgica, Chipre, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Polônia, Portugal, Romênia, Espanha e Suécia receberão o proporcional de 6,66 milhões de vacinas.

A medida foi comemorada pelo primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que é também presidente do Conselho da UE: “saúdo o acordo alcançado hoje sobre a partilha solidária de vacinas (…), que permite vacinar pelo menos 45% da população em cada Estado-Membro até ao final de Junho. Agora devemos acelerar a vacinação e iniciar uma recuperação justa, verde e digital”, enfatizou Costa.

Covid-19 na Europa

A Europa verifica um aumento nos índices de transmissão de coronavírus na maioria dos países, segundo dados da OMS. Na última semana, foram contabilizados 1,6 milhões de novos casos e 24 mil mortes em decorrência da doença. O número total de mortes no continente se aproxima de um milhão. Além disso, 50 países ou territórios relataram terem encontrado a variante detectada no Reino Unido, que agora é predominante na Europa.

De acordo com representantes da OMS na Europa, a maior preocupação decorre do período de Páscoa, já que a mobilidade tende a aumentar devido ao feriado religioso. “Apenas cinco semanas atrás, o número semanal de novos casos na Europa caiu para menos de 1 milhão, mas agora a situação da região é mais preocupante do que vimos em vários meses”, destacou a Diretora Regional de Emergências do Escritório Regional da OMS para a Europa, Dra. Dorit Nitzan.

Ainda conforme a OMS, testes expandidos, isolamento, rastreamento de contato e quarentena são as ferramentas básicas de saúde pública que devem ser usadas e continuamente fortalecidas.

“O maior determinante de quantas pessoas são infectadas e quantas morrem nas próximas semanas é o que você, como indivíduo, faz – ou não faz. Já vimos isso várias vezes: a propagação do vírus pode ser interrompida. Minha mensagem aos governos da Região é, portanto, que agora não é hora de relaxar as medidas. Não podemos deixar de nos preocupar com o perigo. Todos nós fizemos sacrifícios, mas não podemos permitir que o cansaço vença. Devemos continuar controlando o vírus”, concluiu Kluge.

Vacinação nos principais países

 

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