Embaixada do Brasil abre posto na cidade ucraniana de Lviv


A Embaixada do Brasil na Ucrânia vai abrir dois novos postos consulares para prestar apoio aos brasileiros que ainda não conseguiram deixar o país após o início da invasão russa. Um deles será na cidade ucraniana de Lviv, na fronteira com a Polônia, que tem sido utilizada como uma das principais rotas de fuga para os refugiados. No local já consta uma equipe de voluntários que falam português para ajudar brasileiros na estação de trem. 

De acordo com comunicado do Itamaraty, entre as atividades que serão realizadas no local está “a confecção de documentos de viagem e de retirada, ordenada e segura, de nacionais do território ucraniano”. As autoridades, no entanto, ainda não confirmam a data de abertura do posto de atendimento.

Conforme o Ministério das Relações Exteriores, a iniciativa segue ações de outros países, que também tem estabelecido missões de apoio fora da capital ucraniana, que está sob ataque dos russos: “Por força da deterioração da situação de segurança em Kiev, embaixadas de vários outros países têm igualmente estabelecido missões de apoio fora da capital da Ucrânia, sobretudo em Lviv”, explica o Itamaraty. 

O segundo posto de atendimento será na vizinha Moldávia, na capital Chisinau. O objetivo é prestar apoio aos cidadãos que deixam a Ucrânia através da Romênia. A Moldávia faz divisa com ambos os países. Outra equipe da embaixada está na estação de Chernivtski, perto da fronteira com o território romeno, para ajudar os brasileiros.

Ainda de acordo com o Itamaraty, funcionários de embaixadas do leste europeu, como em Bucareste, na Romênia e em Varsóvia, na Polônia, atualmente prestam apoio “de modo a auxiliar o deslocamento seguro de brasileiros até as capitais daqueles países”.

Mais de 100 brasileiros já fugiram

Em resposta ao Agora Europa, o Itamaraty informa que, até agora, mais de 100 brasileiros conseguiram fugir do território ucraniano. As principais rotas são a Polônia e Romênia. Os trens são um dos meios mais utilizados para a saída da Ucrânia, uma vez que as estradas registram “dezenas de quilômetros de congestionamentos”. 

Ainda de acordo com as autoridades, outros 15 cidadãos estão próximos de pontos de passagem e esperam sair do país nesta quarta-feira (2). Muitos estão sendo apoiados por iniciativas voluntárias, como o “Frente Brazuca”, criado por brasileiros que moram em diversos países europeus.

Segundo o ministério, ainda existem cerca de 80 brasileiros registrados na lista da embaixada que permanecem no território ucraniano, mas com interesse de deixar o país. Conforme a embaixada, o número de nacionais do Brasil na Ucrânia antes do início da guerra era de 500 pessoas.

Em relação ao resgate de brasileiros por avião, duas aeronaves da Força Aérea Brasileira “seguem de prontidão para auxiliar” na operação. No entanto, a instrução para as embaixadas é de fazer um levantamento de quantos brasileiros estão interessados na repatriação.

Ataques contra prédio da polícia e universidade

No sétimo dia seguido de guerra no país, os ataques russos continuam em várias cidades. Em Carcóvia (Kharkiv, em ucraniano), depois de bombas lançadas na principal praça da cidade, o Ministério da Defesa informou que mísseis destruíram parte do prédio da polícia nacional e da universidade. Segundo as autoridades, os bombardeios aconteceram por volta das 8h10min (hora local). 

De acordo com o balanço preliminar, três pessoas ficaram feridas. Em Kiev, os avisos de sirenes e de procura por abrigos são constantes aos moradores, conforme as orientações passadas no canal da prefeitura no Telegram. 

Segundo o monitoramento do setor de inteligência do Ministério da Defesa britânico, o foco dos ataques, nas últimas horas, se concentra em Kiev, Carcóvia (Kharkiv, em ucraniano), Chernigov, no norte, e Mariupol, no leste do país. Em Kherson, perto do litoral, onde os russos tomaram a estação de trem na terça-feira (1º), o comunicado informa que as tropas enfrentam “dificuldades logísticas e forte resistência ucraniana”.

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