Governo britânico lamenta mortes de Dom Phillips e Bruno Pereira na Amazônia

O Ministério das Relações Exteriores e Desenvolvimento do Reino Unido lamentou, nesta quinta-feira (16), a confirmação do assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, na floresta amazônica. Em nota enviada ao Agora Europa, a titular da pasta, Vicky Ford, afirmou que o governo britânico continuará dando apoio à família de Phillips.

Por meio das redes sociais, a ministra também agradeceu ao Brasil pelo empenho na procura da vítimas: “Meus pensamentos estão com as famílias de Dom Phillips e Bruno Araujo, pois os corpos foram encontrados. Continuaremos a fornecer todo o apoio que pudermos à família de Phillips neste momento profundamente angustiante. Meus agradecimentos às autoridades brasileiras por sua ajuda e engajamento”, declarou Vicky Ford. Até o momento da publicação desta reportagem, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido também não havia respondido ao Agora Europa quais ajudas estão sendo oferecidas à família do jornalista britânico.

Na noite dessa quarta-feira (15), em coletiva de imprensa em Manaus, a Polícia Federal (PF) confirmou que, após a confissão de um dos suspeitos, foram identificados os locais onde os corpos de Dom Phillips e Bruno Pereira foram enterrados. Os restos mortais que, supostamente pertencem às vítimas, foram localizados na Terra Indígena do Vale do Javari, no Amazonas, em uma região de mata fechada, à três quilômetros de distância do local do crime.

O assassinato foi confessado, no dia anterior (14), pelo pescador Amarildo da Costa de Oliveira, de 41 anos, também conhecido como “Pelado”. A Polícia Federal prendeu ainda um segundo suspeito e investiga um terceiro envolvido no crime. Segundo o superintendente da PF, Eduardo Fontes, o próximo passo é comprovar que os corpos encontrados identificados são, de fato, de Dom Phillips e Bruno Pereira.

As vítimas desapareceram no dia 5 de junho, quando se deslocavam da cidade de São Rafael para Atalaia do Norte, ambas no Estado do Amazonas, por meio do Rio Itaquaí. Bruno e Dom realizavam o percurso, de 72 quilômetros, de barco, mas nunca chegaram ao destino final. A embarcação utilizada pelas vítimas foi afundada após o crime. A Polícia Federal ainda não localizou o barco de Phillips e Bruno Pereira.

Investigação na Amazônia

Jornalista Dom Phillips e indigenista Bruno Pereira. Arte: Cris Vector

O jornalista britânico e Bruno trabalhavam investigando áreas de preservação na Amazônia. O indigenista brasileiro é reconhecido como uma das maiores autoridades no assunto e profundo conhecedor da região e dos povos locais, já atuou na Fundação Nacional do Índio (Fundai), sendo exonerado em 2019.

Dom vivia no Brasil desde 2007 e atuava para diversos jornais internacionais, como o The Guardian e New York Times. Atualmente, o profissional estava fazendo pesquisas para escrita de um livro sobre a Amazônia, após receber um financiamento da fundação americana Alicia Patterson.

Segundo nota da entidade, a obra de Dom iria explorar “maneiras realistas de salvar a Amazônia”. No comunicado, Margaret Engel, diretora da fundação, destaca que o jornalista é “um repórter cuidadoso e cauteloso que é um especialista na complexidade dos problemas enfrentados pela floresta tropical”.

Desde o desaparecimento da dupla, entidades, jornalistas e especialistas de diversas áreas pressionaram as autoridades brasileiras a procurarem por Bruno e Dom. Grupos indígenas da região também ajudaram nas buscas e realizaram protestos.

A morte do jornalista e do indigenista se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nos últimos dias, especialmente na quarta-feira (16), quando a polícia confirmou que os corpos foram encontrados. Colegas de profissão e admiradores do trabalho da dupla realizaram homenagens e o caso também foi manchetes em veículos de imprensa do mundo todo.

Compartilhar