Violência doméstica aumenta 11,4% em Portugal

Aumento foi de 3.015 casos. Foto: iStock

Por Amanda Lima, de Lisboa.

Portugal é considerado um dos três países do mundo mais seguros para viver. A posição é do Global Peace Index (GPI) e reforçada pelos números do Relatório Anual de Segurança Interna, aprovado ontem (23) na reunião do Conselho Superior de Segurança Interna do país. No índice geral a criminalidade cresceu 0,7%.

Em 2018 os registros de crimes foram 333.223 e, no ano passado, os casos passaram a 335.614 ocorrências. Quando a lei de segurança interna foi criada, em 2008, o índice era de 421 mil crimes por ano, o que representa uma redução de 20%. No entanto, há alguns crimes com aumentos mais significativos.

As agressões graves subiram 14,2%, com mais 82 casos na comparação com os dados anteriores. Entre os crimes violentos, os roubos em via pública tiveram o maior aumento, com mais 627 casos.

O perigo para as mulheres

Os números também demonstram aumento de risco para as mulheres. Os estupros registrados no país subiram 2,4%, com mais 431 casos na comparação com 2018. O relatório também assinala que pelo terceiro ano consecutivo há aumento deste tipo de crime em Portugal.

Nos casos de violência doméstica, também houve crescimento de 11,4%. Enquanto em 2018 foram 26.843 queixas, no ano passado, os registros passaram a 29.498; ou seja, mais 3.015 casos. A situação preocupa autoridades portuguesas.

A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, declarou nesta semana que a tendência neste ano é agravar-se devido à pandemia de Covid-19. Em audição regimental na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, ela declarou que é necessário adotar um instrumento que garanta melhor proteção às vítimas.

Conforme dados da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, no período de março a maio foram 15.919 atendimentos. Destes, cerca de 4.500 ocorreram na segunda quinzena de maio, quando iniciou o desconfinamento no país.

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Em Portugal existem mecanismos de apoio e proteção através do telefone. A linha 800 202 148 é gratuita e funciona 24 horas por dia. Neste período de isolamento, em que há chances maiores de agressores estarem em casa, foi criada também uma linha de atendimento por mensagem de texto, através do número 3060. “No isolamento estamos consigo. Escreva quando não puder falar”, alerta o governo.

Ainda durante a pandemia foram abertas duas novas casas temporárias para abrigo, com mais de 100 vagas. Destas, até o mês de maio, 52 vítimas tiveram que deixar suas casas para proteger-se de agressores.

O Relatório Anual de Segurança Interna será enviado para a Assembleia da República até o final deste mês.

 

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