Universidade de Lisboa abre investigação contra professores acusados de assédio


A Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em Portugal, vai investigar três professores denunciados por assédio e discriminação contra alunos da instituição. A direção do curso confirmou a abertura dos inquéritos, nesta terça-feira (26), por meio de um comunicado. O objetivo é verificar “a veracidade, a extensão e os sujeitos mencionados em três denúncias de assédio e discriminação”, destaca o documento. 

Segundo a nota, a investigação é resultado da avaliação de 50 denúncias realizadas por estudantes em março: “A Direção da Faculdade tem a competência disciplinar, mas só pode agir perante queixas circunstanciadas e fundamentadas”, pontua Paula Vaz Freire, diretora do curso responsável por assinar o documento. A docente promete “tolerância zero” em condutas de assédio, discriminação e bullying.

Os relatos foram coletados em um canal de denúncias aberto pela universidade. No total, 31 professores, o que equivale a 10% do corpo docente, foram denunciados pelos alunos por má conduta. Entre os registros estão cinco casos de xenofobia e racismo: “os testemunhos referem-se a alunos brasileiros, negros ou originários de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa”, destaca o documento. Entre as ações descritas pelas vítimas, estão a humilhação, intimidação e insultos.

Após a divulgação do relatório com o número de denúncias, no início deste mês, um grupo de estudantes protestou em frente à reitoria da universidade para cobrar providências em relação ao assunto. Até o momento, não houve nenhum afastamento de docentes. A faculdade não informou quanto tempo vai durar a investigação.

Ainda de acordo com a nota divulgada nesta terça, está sendo instalado um gabinete de apoio jurídico e psicológico para as vítimas. A iniciativa será realizada em parceria com a Ordem dos Advogados (OA) e com profissionais contratados pela Ordem dos Psicólogos. Um email será disponibilizado para solicitação de atendimento e a previsão é de que os agendamentos sejam realizados na primeira quinzena de maio. O canal para a denúncias permanece disponível no site da universidade.

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