Portugal: Igreja cria comissão para investigar casos de abuso sexual


A Igreja Católica em Portugal anunciou, nesta quinta-feira (11), a criação de uma comissão nacional para investigar, “reforçar e alargar o atendimento de casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero, institutos religiosos ou em instituições eclesiais”. De acordo com comunicado oficial da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o órgão terá “real independência” para investigar possíveis casos.

Segundo as autoridades católicas, existe a necessidade de “fazer clareza” sobre o assunto no país: “Faremos tudo para esclarecer cabalmente esta questão. Portanto, o que for necessário fazer vamos fazer, sobre isto não tenho a mínima dúvida”, destacou Dom José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal.

O religioso ainda frisou que existe o interesse da Igreja em esclarecer sobre o assunto: “Não temos medo e temos todo o interesse em esclarecer tudo isto. Isso deve ser claro para todos”, explicou Ornelas.

O bispo também ressaltou que não tem intenção de “cobrir o que quer que seja” e que o objetivo é “respeitar as vítimas e evitar soluções parciais e apressadas”. A comissão nacional estará aberta para “acolher denúncias, acompanhá-las o mais possível”, tanto casos recentes como mais antigos.

Segundo o documento, já existem 21 comissões locais nas dioceses, que contam com profissionais de diversas áreas, como direito e psicologia. O órgão nacional irá “acompanhar a nível civil e canônico” as vítimas e apurar possíveis crimes, os quais a igreja considera “graves”. Por fim, a comissão nacional será “um ponto de escuta permanente a nível nacional”. O mapa com os contatos para denúncias e busca de apoio pode ser acessado aqui.

Casos na Europa

Uma comissão semelhante foi criada na França há mais de dois anos para investigar casos de abuso sexual cometidos por padres no país. O relatório final, divulgado no mês passado, revelou que mais de 216 mil crianças ou menores foram vítimas de sacerdotes nos últimos 70 anos no país.

Na Polônia, um inquérito conduzido por um comitê do governo relevou que quase 30% de todos os casos de pedofilia no território polonês foram praticados por um membro da Igreja Católica. O estudo leva em consideração o período de 2017 a 2020.

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