Portugal: falta de investimento na saúde mental de funcionários causa prejuízo de €3,2 bilhões às empresas

Entidade pede ao governo que seja obrigatória a figura do psicólogo de trabalho
Foto: Freepik


Apenas 10% das empresas em Portugal possuem procedimentos para lidar com problemas relacionados ao estresse dos colaboradores. Em países como Reino Unido e Irlanda a percentagem atinge ou ultrapassa 80%. Os dados foram divulgados nesta semana em um estudo promovido pela Ordem dos Psicólogos de Portugal (OPP), chamado de “Prosperidade e sustentabilidade nas organizações”. Depressão, ansiedade e estresse foram os transtornos e doenças mais encontrados nos ambientes de trabalho.

A pesquisa reporta que além de representar um risco à saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, trata-se de um problema que causa prejuízos financeiros que podem chegar a até €3,2 bilhões por ano: “O Estado e os empregadores perdem bilhões de euros porque os colaboradores são menos produtivos, menos eficazes ou estão ausentes por motivo de doença”, diz a publicação.

As faltas

Em Portugal, as faltas por estresse chegam a 6,2 dias por ano. As faltas por presentismo, que é a perda de produtividade quando se trabalha abaixo das capacidades por doença física ou mental, são ainda mais altas: 12,4 dias.

O estudo também destaca que a média de trabalho no país é a quinta maior da União Europeia (EU). Outros fatores somados tornam o cenário pior para saúde mental dos trabalhadores, como, por exemplo, o fato de que em Portugal as pessoas gastam em média 8h11min em transporte para trabalhar.

Efeitos da saúde mental

A investigação aponta que a saúde mental no ambiente de trabalho está relacionada à diminuição da motivação e produtividade, além do risco de acidentes. Outro fenômeno é o aumento de conflitos. A estimativa é que um dia de trabalho por mês é perdido para resolver os conflitos entre os colaboradores.

Os profissionais chamam a atenção para a importância de ações que atentem à saúde mental das equipes: “A investigação demonstra, consistentemente, que quando os colaboradores se sentem apoiados e valorizados, tendem a apresentar níveis mais elevados de bem-estar, níveis mais elevados de desempenho, concentração e motivação, níveis mais elevados de envolvimento e compromisso com os objetivos da organização”, explicam.

As orientações às empresas e ao governo

Por fim, a pesquisa indica que a prevenção e promoção da saúde mental nas empresas podem reduzir as perdas em 30%. É proposto um conjunto de recomendações às empresas que incluem:

– Avaliação de riscos psicossociais entre os colaboradores e utilização dos dados para promover ações de segurança, saúde e bem estar, de forma colaborativa;

– Desenvolver e implementar planos de prevenção e intervenção dos riscos à saúde mental;

– Comunicação interna facilitada;

– Medidas de apoio à parentalidade e ao equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal e familiar;

– Garantir que trabalhadores tenham acesso a apoio psicológico, seja por integração de psicólogos nas equipes ou serviços externos.

Também foram descritas recomendações específicas ao governo de Portugal, tais como a uma lei que torne obrigatória a avaliação dos riscos e a criação da figura do psicólogo do trabalho. É pedido ainda que a Direção Geral de Saúde (DGS) deve elaborar e implementar uma ação estratégica e estruturada de prevenção dos riscos psicossociais e a promoção da saúde mental em todos os serviços de saúde do país.

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