Portugal facilita acesso a exame gratuito de Covid-19


Pessoas que tiverem um resultado positivo para a Covid-19 após realizarem um autoteste, normalmente feito em casa, vão receber uma receita automática para repetir o exame gratuitamente em Portugal. A medida foi anunciada nesta manhã (12) pela ministra da Saúde, Marta Temido, e entra em vigor neste final de semana.

Atualmente, para ter acesso à confirmação de diagnóstico no país, é preciso telefonar para a linha de saúde, que faz normalmente faz o encaminhamento para uma consulta médica. Com a mudança, essa etapa pode ser dispensada e a prescrição para a realização do exame será emitida somente com a ligação, de maneira automática. A solicitação do teste deve ser feita pela linha do Serviço Nacional de Saúde – SNS 24, no número 808 24 24 24.

O governo não esclareceu como a prescrição para a realização do teste antígeno será enviada. No entanto, a assessoria do Ministério da Saúde destacou que o SNS utiliza mensagens de texto e e-mails para se comunicar com quem acessa o serviço. A realização do teste será em um local designado pelo SNS, próximo à residência do paciente.

De acordo com a ministra, o exame será realizado mesmo em pacientes assintomáticos ou com sintomas leves. Marta Temido defende essa modalidade de teste como “a mais adequada” para a atual situação sanitária do país. “[A medida] garante o atendimento e encaminhamento automático para o acesso à prescrição sem os constrangimentos [problemas] de espera”, declarou a titular da pasta.

O acesso facilitado aos exames ocorre após o fim do programa de testagem gratuito nas farmácias do país, encerrado no dia 30 de abril. A iniciativa estava em vigor desde junho do ano passado. 

Possibilidade de nova onda é intensa, dizem especialistas

O anúncio também ocorre um dia após especialistas da área da saúde divulgarem um relatório que prevê uma nova onda de contaminações por Covid-19 no país. Segundo o documento enviado pelo Instituto Superior Técnico (IST) ao Agora Europa, “a possibilidade de sexta vaga [onda] está a desenhar-se de forma muito intensa” em Portugal. A avaliação é de há uma situação “de aumento do perigo pandêmico”.

Na comparação com o relatório anterior, publicado no dia 19 de abril, a incidência média a cada sete dias passou de 8.763 para 14.627 casos. De acordo com o estudo, o aumento “deve-se, quase certamente, à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos e à nova linhagem BA.5 da variante Ômicron que começa a instalar-se”. Os especialistas apontaram ainda uma subida de 4% por dia nos casos ativos de Covid-19.

Conforme o último relatório semanal da Direção Geral da Saúde (DGS), divulgado no dia 6 de maio, estavam hospitalizadas 1.129 pessoas, o que configurou uma diminuição de 7% na comparação com a semana anterior. Por outro lado, houve aumento de 22% no número de pacientes recebendo atendimento em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), com 60 internados.

Em relação à mortalidade, o relatório aponta que foram registrados 24,1 óbitos por 1 milhão de habitantes a cada 14 dias. O número está acima de 20 mortes por milhão de habitantes, que é a “linha vermelha”, de risco, estabelecida pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, sigla em inglês).

Aumento de casos é esperado, diz ministra

A ministra da Saúde declarou que um aumento no número de casos é esperado e, segundo Temido, as autoridades estão acompanhando a situação com peritos. “As medidas que hoje temos estão definidas para um horizonte temporal ao longo do qual continuaremos a acompanhar a evolução da situação epidemiológica”, afirmou a ministra.

Atualmente, Portugal não possui medidas de restrição rígidas se comparado a outros momentos da pandemia. A obrigatoriedade do uso de máscaras foi removida na maior parte dos espaços fechados no dia 22 de abril. A utilização é obrigatória somente no transporte público e aéreo, farmácias e outras instituições de saúde, além dos lares de idosos.

No entanto, a ministra admitiu que o retorno do uso da proteção facial em mais espaços “não está nenhuma hipótese fora de discussão”. Temido acredita, porém, que “muito provavelmente conseguiremos, com a ajuda de todos, ultrapassar também esta fase de crescimento de casos”.

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