Portugal confirma 14 casos da varíola ‘Monkeypox’ em Lisboa


Após a identificação de pessoas contaminadas pelo vírus Monkeypox no Reino Unido, já foram confirmados 14 casos da doença em Portugal. Conhecida popularmente como “varíola dos macacos”, a enfermidade causa lesões na pele, febre e dores no corpo. As informações foram confirmadas ao Agora Europa nesta quinta-feira (19) pelo Instituto de Saúde Doutor Ricardo Jorge, responsável pela análise clínica em território português.

De acordo com a instituição, todos os casos são de moradores da Capital portuguesa, Lisboa. O instituto também investiga a situação de outras seis pessoas com suspeita da doença no país. A maioria dos pacientes é jovem e do sexo masculino. O comunicado informa ainda que os infectados estão “estáveis” e apresentam lesões na pele.

Na vizinha Espanha, o Ministério da Saúde confirmou, nesta quinta-feira (18), que está investigando 25 suspeitas de infecções pela doença no país. Os casos estão sendo analisados pelo Centro Nacional de Microbiología do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).

“O ISCIII está usando métodos de detecção molecular através de PCR em tempo real (tecnologia multiplex de amplo espectro), além de sequenciamento genético do fragmento amplificado para confirmar 100%. A PCR permite o diagnóstico diferencial da família dos ortopoxvírus (existem 4 tipos), e o sequenciamento permite determinar se é ou não varíola dos macacos” – explica o ISCIII por meio de nota.

Segundo o governo espanhol, os pacientes suspeitos estão isolados em casa, sendo monitorados por especialistas. O estado de saúde dessas pessoas também foi apresentado como “estável”. Assim como em Portugal, a maioria é do sexo masculino. A suspeita do ministério é de que a transmissão da varíola tenha ocorrido durante relações sexuais.

Em ambos os países, estão sendo rastreados possíveis contatos com pessoas infectadas ou com suspeita de contaminação. A orientação dos especialistas é para que não haja contato físico direito com pessoas que tenham os sintomas da doença.

Além das lesões, localizadas principalmente no rosto e nas mãos, o vírus causa inchaços nos gânglios do pescoço, arrepios e cansaço. O vírus é transmitido pelo contato entre humanos infectados ou animais, principalmente roedores, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Alerta foi dado pelo Reino Unido

No dia 7 de maio, a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA, sigla em inglês), detectou o primeiro caso da varíola e realizou o isolamento do paciente. De acordo com comunicado do órgão, a suspeita é de que a transmissão tenha acontecido na Nigéria, onde a pessoa infectada esteve recentemente. A doença é endêmica no país, segundo a OMS.

No dia 14 de maio, dois novos casos da doença foram confirmados no Reino Unido. As pessoas não estavam ligadas ao primeiro caso, mas moram na mesma residência. Já na segunda-feira (16), outros quatro pacientes foram diagnosticados com a doença e não tiveram contatos com os primeiros casos registrados. No total, sete pessoas estão recebendo tratamento médico especializado.

Conforme o comunicado, o risco para a população é considerado baixo. No entanto, Susan Hopkins, médica da agência, destacou que o momento é de alerta: “Esses últimos casos, juntamente com relatos de casos em países de toda a Europa, confirmam nossas preocupações iniciais de que possa haver propagação da varíola em nossas comunidades”, alertou a especialista.

Nessa quarta-feira (18), a epidemiologista Maria Van Kerkhove, da OMS, divulgou a abertura de inscrições de um curso destinado aos profissionais de saúde sobre o vírus. O objetivo é que os especialistas saibam reconhecer e prevenir a doença, além de fornecer orientações sobre como responder a surtos do vírus.

Após a confirmação dos casos no Reino Unido, a organização emitiu um comunicado enfatizando a necessidade de que a atenção seja redobrada no retorno de viagens. “Qualquer doença durante a viagem ou ao retornar de uma área endêmica deve ser relatada a um profissional de saúde, incluindo informações sobre todo o histórico recente de viagens e imunização”, explica a OMS.

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, sigla em inglês), ainda não se manifestou sobre o tema. No relatório semanal de acompanhamento de doenças, relativo aos dias 8 a 14 de maio, são apenas citados os casos do Reino Unido.

Compartilhar