Carnaval: evento já foi cancelado em pelo menos seis cidades de Portugal

Em Ovar, um dos festejos mais tradicionais de Portugal, a comissão organizadora decidiu cancelar o evento. Foto: Divulgação / Carnaval de Ovar


Pelo segundo ano seguido, seis festas tradicionais de Carnaval em Portugal não serão realizadas. Prefeituras e entidades organizadoras decidiram cancelar os festejos por causa da pandemia de Covid-19. O levantamento foi realizado pelo Agora Europa. No país luso, as atividades neste ano estão marcadas para iniciar entre os dias 26 de fevereiro a 2 de março.

Em Loures, na Área Metropolitana de Lisboa (AML), as autoridades municipais decidiram por não realizar a festa neste ano. Conhecido como “Carnaval Saloio”, os festejos oficialmente possuem 1,2 mil figurantes e 15 carros alegóricos de diversas associações e organizações da comunidade.

No Sul de Portugal, o tradicional Carnaval de Loulé, que envolve desfiles, carros alegóricos e participantes fantasiados, também foi cancelado. Segundo a Prefeitura da cidade, o motivo do cancelamento é a pandemia, que impede “um planejamento atempado (antecipado) da programação”.

No Norte do país, o Carnaval de Ovar, a cerca de 285km da capital portuguesa, os festejos também foram cancelados. De acordo com comunicado na página oficial da festa, “o Carnaval é a grande festa de Ovar, mas a saúde pública está em primeiro lugar”.

Na cidade, os festejos carnavalescos datam de 1880, de acordo com registros históricos. A tradição é realizar desfiles nas ruas com participação de escolas de samba. 

Ainda no Norte do país, o município de Arcos de Valdevez também cancelou o evento. Segundo a Associação Folia, responsável pelos festejos, tanto os bailes nas ruas quanto o cortejo carnavalescos estão cancelados.

O comunicado, que pontua que o carnaval da cidade “é o maior do Norte de Portugal”, ressalta que a decisão “é a mais acertada”. O motivo, assim como as demais cidades que cancelaram as festas, é o atual contexto da pandemia.

Em Torres Vedras, a 50km de Lisboa, a prefeitura anunciou, nesta semana, que a realização da festa “continua a ser inviável no contexto pandêmico em que vivemos”. Os festejos na cidade, que ocorrem oficialmente desde 1923, costumam envolver desfiles nas ruas com pessoas fantasiadas. A festa é considerada uma das mais antigas de Portugal. 

Em Figueiró dos Vinhos, pequeno município com pouco mais de 3 mil habitantes na região Norte, a prefeitura tomou a mesma decisão de cancelar a festa, que costuma envolver um show com “grande aglomeração de pessoas” e que poderia “vir a provocar um aumento descontrolado da propagação do vírus no concelho [município]”. Conforme o comunicado das autoridades municipais, a decisão é baseada na evolução da pandemia no país.

Sines mantém festa

Em Sines, a 150km da capital portuguesa, a festa segue mantida. No site do evento, há uma contagem regressiva para o início da festa, que começa no dia 26 de fevereiro. De acordo com os organizadores, na última edição, realizada em 2020, participaram mais de 50 mil pessoas.

Já os organizadores do Carnaval de Mealhada ainda não anunciaram oficialmente se o evento será cancelado ou mantido. Na página da festa, que se intitula “luso-brasileira”, a programação está mantida para o final de fevereiro, com o tema “o show tem que continuar”.

Em Lisboa, não há um organizador central dos chamados carnavais de rua. Antes da pandemia, no entanto, grupos, especialmente de imigrantes, promoviam as festas de rua em diferentes pontos da capital portuguesa. Neste ano, em função da pandemia, ainda não é possível afirmar se os encontros acontecerão na cidade.

Em Portugal, a legislação define a data como feriado facultativo. Cabe ao governo do país e autoridades municipais decretarem a data como feriado. Em 2021, uma proposta de lei para tornar o Carnaval como feriado oficial em todo o país foi rejeitada por maioria no parlamento. 

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