Campanha reforça vigilância contra a violência doméstica em Portugal

Nova campanha marca o “Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres” Foto: Divulgação / Governo de Portugal


“Vai ficar tudo bem” foi uma frase de otimismo que tornou-se popular na pandemia em Portugal. Agora, as mesmas palavras são usadas em outro contexto no país: para combater a violência contra as mulheres.

“Enquanto houver uma mulher vítima de violência doméstica, não vai ficar tudo bem” é o slogan da nova campanha do governo de Portugal, lançada oficialmente nesta segunda-feira (22). De acordo com comunicado da Comissão para Igualdade de Gênero (CIG), a iniciativa #PortugalContraAViolência “reforça a vigilância contra a violência doméstica e alerta para os impactos deste crime não só nas mulheres, mas também nas crianças”.

A partir de hoje, os canais de apoio e denúncia serão divulgados na imprensa, salas de cinema, meios de transporte, postos de combustíveis, supermercados e rede de caixas eletrônicos. Conforme o governo, um dos objetivos da nova campanha é “consolidar o sentido de responsabilidade coletiva, transmitir confiança a cada mulher, na sua luta, e à sociedade em geral, no combate a este crime, bem como divulgar as respostas e mecanismos de apoio às vítimas”.

Ainda segundo as autoridades do país, a violência contra a mulher é um “crime público e de responsabilidade coletiva”. A campanha também marca o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, celebrado no dia 25 de novembro. 

Esta é a segunda iniciativa no país com este propósito. A primeira ocorreu nas férias de verão, quando tradicionalmente as pessoas estiveram mais tempo em casa, na convivência com agressores. Ao longo deste ano, o governo também lançou campanhas de gênero, uma contra violência no namoro e outra contra casamentos infantis.

Aumento de prisão de agressores e de mulheres abrigadas

De acordo com o levantamento do Observatório das Mulheres Assassinadas, iniciativa existente desde 2004 em Portugal, entre janeiro e junho deste ano, pelo menos 14 mulheres foram assassinadas e outras 27 vítimas sobreviveram a tentativas de feminicídio. 

No terceiro trimestre, entre julho a setembro deste ano, 7.610 denúncias de violência doméstica foram realizadas às autoridades policiais do país, uma média de 84 casos por dia. O número consta no relatório oficial do governo, divulgado na última sexta-feira (19). Na comparação com o período anterior, o aumento foi de 999 registros. Também cresceu o número de mulheres que precisaram buscar abrigos para se proteger da violência, elevando o total para 719. 

Portugal também teve, no mesmo período, um aumento do número de agressores (28), de homens afastados das vítimas (15) e de homens em vigilância (33). Ao mesmo tempo, no último trimestre, mais 633 homens começaram a participar de programas especiais para agressores de mulheres. No total, 2595 pessoas participam da iniciativa, tanto em prisões como na comunidade.

Contatos de denúncia/apoio

Linha de Emergência Nacional – 112

Linha SMS – 3060

Linha de Informação da Comissão para Igualdade de Gênero para as vítimas – 800 202 148

SOS Criança – 116 111

Lista de contatos e informações úteis aqui.

Compartilhar