Variante Delta é dominante em sete a cada 10 países da Europa

Na Alemanha, a Delta se tornou predominante em menos de dois meses. Foto: Canva


A variante Delta, que se espalha rapidamente pela Europa, já é predominante em sete a cada 10 países europeus acompanhados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo relatório divulgado na sexta-feira (23), a nova estirpe domina em 19 dos 28 países analisados, com predominância de 68%. Ainda conforme a OMS, a cepa já foi detectada em “em quase todos os países europeus” e “continuará a se espalhar muito rápido”.

A organização alerta para o aumento de casos registrados em todo o continente nas últimas quatro semanas, motivados pela Delta: “As taxas de notificação aumentaram em todas as faixas etárias, mas mais rapidamente entre os jovens de 15 a 24 anos, onde um aumento de cinco vezes nos casos relatados foi observado no último mês”, pontua a OMS.

A Delta, originária da Índia, teve os primeiros casos na Europa em meados de abril, com imposições de restrições aos passageiros dessa região em diversos países. Mas foi em maio e junho que a presença da nova variante começou a ser detectada em localidades como a Itália, Alemanha e Portugal, por exemplo.

Na Alemanha, a Delta representava apenas 2% dos novos casos em maio, mas se espalhou com rapidez no território, tornando-se predominante no país no final de junho. De acordo com o último relatório do Instituto Robert Koch, divulgado na sexta-feira (23), a presença da variante atualmente é de 84% entre os alemães infectados pela doença.

Segundo o mesmo instituto, a nova estirpe é responsável por 26% das hospitalizações de jovens entre os 15 e 34 anos, enquanto, no caso da Alfa, a taxa é de 18%. Apesar da situação, medidas adicionais não foram determinadas pelo governo alemão, que aposta na vacinação como forma de proteger a população. 

Na Itália, segundo o Instituto Superior de Saúde (ISS) a variante era responsável por 4,2% dos novos casos no país, subindo para 16,8% na terceira semana de junho. Já o último levantamento, divulgado no início de julho, pontua que o número aumentou para 22,7%. 

Com um novo crescimento de casos diários, o governo italiano implementou a obrigatoriedade do certificado de vacinação para diversas atividades de cultura e lazer em toda a Itália. Na última quinta-feira, data em que as medidas foram anunciadas, o país superou o marco de cinco mil infecções diárias, o maior índice desde maio.

Na França, a disseminação da variante gerou preocupação no governo, diante do aumento em 20% nos novos casos da doença. As autoridades implementaram a obrigatoriedade do certificado de vacinação para acessos a diversos locais, como maneira de incentivar a imunização. O presidente Emmanuel Macron assegurou que a vacinação é a melhor forma de conter a nova estirpe no país. 

Delta causa nova onda de internações em Portugal

Portugal foi um dos primeiros países europeus a registrar a predominância da variante Delta. Os primeiros casos surgiram no início de maio e aumentaram rapidamente pelo país desde o mês de junho, quando a cepa já dominava 70% das novas infecções na região de Lisboa.

O governo tentou evitar que a variante se espalhasse pelo país, impondo uma proibição de saída e entrada da capital aos finais de semana. No entanto, o vírus chegou a todo território, sendo, desde o início de julho, a variante dominante em todas as regiões portuguesas, com predominância de 94%, conforme estatísticas oficiais. 

Além de triplicar o número de infecções no último mês, o índice de pacientes internados com Covid-19 quase dobrou nos últimos 30 dias. Enquanto na terceira semana de junho estavam hospitalizadas 427 pessoas, nesta semana, o número chega a 835, de acordo com o relatório da Direção Geral de Saúde.

A situação levou o governo a travar o plano de desconfinamento de verão e impor uma série de novas restrições. Além de um toque de recolher, que já abrange 40% dos municípios portugueses, passou a ser obrigatório o certificado de vacinação para acesso a restaurantes nos finais de semana.

“Estamos longe de sair do perigo”

O diretor regional da OMS na Europa, Dr. Hans Henri P. Kluge, destaca que o perigo da pandemia ainda não passou e recomenda uma série de ações aos governos: “A OMS recomenda que os países aumentem o acesso a testes gratuitos, expandam o sequenciamento, incentivem a quarentena para contatos e o isolamento para casos confirmados”, explicou o diretor. O Dr. Hans ainda complementou que é necessário fortalecer o rastreamento de contatos para quebrar cadeias de transmissão e “garantir que aqueles em maior risco entre nossas populações sejam vacinados”.

A organização ainda chamou a atenção para o risco nas viagens realizadas nas férias de verão: “Viajar não é isento de riscos. Viajar e reunir pode aumentar o risco de obter e espalhar Covid-19. Se você quer viajar, pense na necessidade e avalie seus riscos. Sua decisão conta para acabar com esta pandemia. Se você decidir viajar e se reunir, faça-o com segurança”, argumenta a OMS.

Vacinação

Todos os países da União Europeia (UE) investem nas campanhas de vacinação como forma de conter a gravidade de uma nova onda de infecções causada pela Delta. Segundo a OMS, os dados “mostram claramente que receber uma série completa de vacinas reduz significativamente o risco de doenças graves e morte”.

Assim como o órgão, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, em inglês), incentiva a população para que se vacine. A Dra. Andrea Ammon, diretora do centro, afirmou que as pessoas devem ter um esquema vacinal completo “assim que tiverem a oportunidade”.

Atualmente, segundo dados da Comissão Europeia, cerca de 68,4% da população que reside na UE já recebeu, pelo menos, uma dose da vacinação. Ao mesmo tempo, 55% dos adultos já estão totalmente imunizados. Os números seguem dentro da meta estipulada pela comissão no início da campanha de vacinação.

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