Terceira dose: países europeus elegem grupos vulneráveis e iniciam aplicação

*Com informações de Amanda Lima, de Lisboa e Thaís Baldasso, de Madri

Com mais de 70% da população adulta totalmente vacinada contra a Covid-19 na União Europeia (UE), países europeus já começaram a aplicar a terceira dose ou traçam planos sobre o reforço na imunização. Até agora, pelo menos sete Estados-Membros, além do Reino Unido, decidiram em quem será realizado o reforço na vacinação contra o coronavírus. No geral, os grupos alvos selecionados pelas autoridades de cada país são semelhantes.

Por enquanto, os cientistas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, sigla em inglês) entendem que a população, em geral, está protegida com duas doses. No entanto, concordam com o reforço para “pessoas com sistema imunológico gravemente enfraquecido”.

As autoridades do regulador europeu ainda avaliam os dados disponíveis e recomendam que os Estados-Membros “considerem os planos preparatórios para a administração de reforços e doses adicionais”. No entanto, o chefe de estratégia de vacinas da EMA, Marco Cavaleri, afirmou, em coletiva de imprensa nesta semana, que é “compreensível” se os países decidirem antecipar o reforço na imunização.  

É o caso da França, que já começou a vacinar, no início de setembro, os idosos, pessoas com comorbidades e doenças de risco. O reforço estava sendo discutido desde o verão no país. As autoridades de saúde francesas também recomendam o reforço para todos aqueles vacinados com o imunizante Janssen. É a única vacina desenvolvida até agora com apenas uma dose.

No mesmo sentido, autoridades de saúde da Alemanha também recomendam que as pessoas imunizadas com Janssen devem receber uma nova injeção. Além destas, o país elegeu como grupo alvo aqueles com deficiência ou imunodeprimido, além de pessoas vulneráveis, sem explicar especificamente quais. O reforço já começou no território alemão. 

Ambos os países ainda recomendam a vacina para os moradores de casas de repouso. A medida está alinhada com a recomendação da EMA: “Também se pode considerar a possibilidade de proporcionar uma dose adicional como medida de precaução às pessoas maiores frágeis, em particular as que vivem em centros de atenção a largo prazo”, explica o órgão em comunicado. 

O mesmo ocorre na Itália, que autorizou, na semana passada, a campanha de reforço. A vacinação deve ocorrer ainda neste mês, segundo informações do Ministério da Saúde. Os residentes das casas de repouso e todas as pessoas acima dos 80 anos serão imunizadas. Os pacientes oncológicos ou transplantados, além daqueles com sistema imunológico considerado frágil, irão receber a terceira dose na Itália. 

Na Espanha e Portugal, os moradores das casas de repouso não fazem parte do grupo escolhido até o momento. As autoridades definiram que as pessoas que receberam transplantes de órgãos, células tronco e pacientes oncológicos, são elegíveis para o reforço. No país luso, um grupo adicional definido pela Direção Geral de Saúde (DGS) são as pessoas com HIV.

Em cada um dos territórios, a estimativa é de 100 mil contemplados com a dose extra, somando um total de aproximadamente 200 mil pacientes. Em Portugal, apesar da recomendação da DGS, as terceiras injeções ainda não começaram a ser aplicadas, enquanto na vizinha Espanha a campanha começou na última quinta-feira (9).

A Dinamarca, que anunciou a aplicação da terceira dose ainda no mês passado, também não incluiu os idosos. Serão priorizadas as pessoas que passam por hemodiálise, que realizaram transplantes de órgãos ou que fizeram quimioterapia no ano passado. 

Pacientes que possuem doenças no sangue ou na medula óssea também estão na lista elaborada pelas autoridades de saúde. Os médicos serão responsáveis pela convocação dos pacientes para a aplicação. O comunicado do Ministério da Saúde já considera que, no futuro, os idosos serão vacinados novamente. 

O Reino Unido, que possui um regulador próprio, recomenda a terceira dose “apenas para pessoas acima dos 12 anos com o sistema imunológico severamente enfraquecido”. Estão na lista os doentes com leucemia, HIV, e transplantados. No entanto, as autoridades britânicas ainda não definiram quando começa a aplicação do reforço.  

“Uso generalizado de vacinas”

Desde o início da campanha de vacinação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) defende uma distribuição igualitária das doses. Nesta semana, o diretor Tedros Adhanom Ghebreyesus anunciou que “não quer ver o uso generalizado de reforços para pessoas saudáveis que estão totalmente vacinadas”.

No entanto, o diretor da OMS concorda que “as terceiras doses podem ser necessárias para as populações de maior risco”. Tedros citou, em coletiva de imprensa, “pessoas imunocomprometidas que não responderam suficientemente às suas doses iniciais ou não estão mais produzindo anticorpos”.

A organização está preocupada com a igualdade de aplicação entre os países. Segundo dados da organização, aproximadamente 90% das nações de alta renda já atingiram a meta de vacinar pelo menos 10% de toda a população até o final de setembro e mais de 70% têm quase metade dos residentes imunizados.

Já os países de baixa renda não atingiram nenhuma das metas citadas anteriormente, que foram estipuladas pela própria OMS. O diretor declarou que “a culpa não é deles [dos países de baixa renda]”. Por isso, a organização quer que o consórcio mundial de vacinas seja priorizado. A União Europeia já se comprometeu com a iniciativa.

Conforme o último comunicado da Comissão Europeia sobre o assunto, já foram doadas 200 milhões de doses da vacina contra o coronavírus para 138 países. As autoridades europeias também anunciaram a compra de mais 200 milhões de imunizantes para países de baixa e média renda até o final deste ano. 

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