Líderes europeus condenam invasão criminosa às sedes dos Três Poderes no Brasil

“Minha absoluta condenação ao atentado às instituições democráticas do Brasil”, publicou o presidente do Conselho da União Europeia, Charles Michel, na noite deste domingo (8). Logo em seguida, o Governo de Portugal também se pronunciou afirmando que reitera o apoio “inequívoco às autoridades brasileiras na reposição da ordem e da legalidade”. As manifestações públicas de líderes e instituições europeias se multiplicaram nas últimas horas em uma resposta à invasão aos prédios dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário do país, realizada por terroristas desde o início da tarde de hoje (8).

Com uso de violência contra policiais responsáveis pela segurança do Congresso Nacional, os apoiadores do ex-presidente de extrema-direita brasileiro, Jair Bolsonaro (Partido Liberal), depredaram as dependências do Senado e da Câmara Federal. Depois, seguiram para o Palácio do Planalto e também para o Supremo Tribunal Federal do Brasil. O ato se opõe aos resultados das urnas que elegeram o atual presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores).

Imagens capturadas por canais de televisão brasileiros e por participantes dos atos golpistas também foram reproduzidas por inúmeros veículos de comunicação europeus. Por meio dos vídeos, é possível ver a destruição dos prédios, com vidros quebrados, móveis estragados e arrastados para a área externa dos edifícios públicos, alagamentos ocasionados pela ativação dos sistemas de segurança anti-incêndio, entre outras avarias.

Pedro Sánchez, presidente de Governo da Espanha, declarou todo apoio ao presidente Lula e afirmou ainda que contena “fortemente o atentado ao Congresso do Brasil e pedimos o retorno imediato à normalidade democrática.” Pelas redes sociais, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “a vontade do povo brasileiro e as instituições devem ser preservadas”.

Já a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, endossou a afirmação do vice-primeiro-ministro do país, Antonio Tajani, que declarou que “qualquer ato de violência contra as instituições democráticas deve ser veementemente condenado.” Da mesma forma, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, se disse “profundamente preocupada com o que está a acontecer no Brasil” e que o Parlamento Europeu “está ao lado do Governo Lula e de todas as instituições legítimas.”

Intervenção Federal

O Governo Federal brasileiro cobrou o governo do Distrito Federal (DF) pela falha na segurança, que permitiu o acesso de manifestantes aos prédios institucionais do país. Ainda durante a tarde, o governador do DF, Ibaneis Rocha, declarou a exoneração imediata do Secretário Distrital de Segurança Pública, Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro. Após a retirada dos terroristas dos prédios, Rocha gravou um vídeo pedindo desculpas ao presidente Lula e aos representantes dos demais poderes pelo ocorrido.

Em coletiva de imprensa e tambem através das redes sociais, o presidente Lula decretou intervenção federal na Segurança Pública do Distrito Federal até o final deste mês. O Decreto ressalta que “o objetivo da intervenção é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Estado no [sic] Distrito Federal, marcada por atos de violência e invasão de prédios públicos”.

Luiz Inácio afirmou ainda que os manifestantes “aproveitaram o silêncio do domingo, quando ainda estamos montando o governo, para fazer o que fizeram. E vocês sabem que existem vários discursos do ex-presidente estimulando isso.” Até o momento da publicação desta reportagem, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que deixou o país nos últimos dias do ano passado, ainda não havia se pronunciado sobre os atos.

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