Eleições no Brasil: votação é marcada por longas filas e horas de espera na Europa

Em Dublin, capital da Irlanda e cidade que teve o maior crescimento no número de eleitores em toda a Europa, os brasileiros formaram filas ao longo do quarteirão para poder votar. Foto: Cristiano Goulart

O primeiro turno das eleições que vão definir quem será eleito presidente no Brasil foi marcado por filas quilométricas nos principais colégios eleitorais da Europa. Em cidades como Paris, Berlim e Londres, por exemplo, o tempo de espera dos eleitores para acessar as urnas superou três horas ao longo do dia. A situação foi semelhante em Lisboa e Dublin, onde o horário de encerramento do pleito precisou ser estendido até as oito horas da noite (horário local) devido ao número de pessoas que aguardavam para votar.

A capital portuguesa tem o maior colégio eleitoral fora do Brasil, com 45,2 mil eleitores, após superar Miami, nos Estados Unidos. A cidade teve um local único de votação, localizado na Universidade de Lisboa, com 58 urnas no total. Durante o dia, grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro e Lula cantaram músicas de apoio aos candidatos e trocaram xingamentos.

Duas urnas eletrônicas apresentaram problemas e, conforme orientação Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram substituídas por voto em cédulas de papel: “por isso, duas seções tiveram início das votações atrasado em alguns minutos, mas as providências foram tomadas imediatamente”, explicou o cônsul-geral de Lisboa, o embaixador Wladimir Valler Filho. No início da tarde, 59 votos foram anulados na seção 540 após um eleitor votar duas vezes.

O brasileiro, primeiro, votou em uma das urnas de lona e, depois, na mesma sala, correu e “furou a vez” do eleitor seguinte, que estava autorizado a digitar o voto na urna eletrônica ao lado. Com isso, a urna precisou ser lacrada. O homem foi detido pela polícia federal para prestar esclarecimentos.

Já Dublin foi a cidade europeia que registrou maior crescimento no número de eleitores. Há quatro anos, a capital irlandesa contabilizava 2,1 mil eleitores brasileiros. Agora, em 2022, esse número aumentou quase sete vezes: 11.946 pessoas estavam aptas a votar em uma das 16 seções disponíveis. O colégio eleitoral foi transferido para uma escola de inglês na região central, onde apenas uma porta dava acesso para todas as urnas. Com isso, uma fila única deu inúmeras voltas em frente ao edifício e também no quarteirão.

Poucos minutos antes do horário de fechamento das urnas, às cinco horas da tarde, o embaixador do Brasil na Irlanda, Marcel Biato, explicou que a polícia irlandesa estimou que três mil eleitores ainda estavam na fila para votar. A situação fez com que o horário do pleito fosse estendido por quase três horas, já que todas as pessoas na fila possuem o direito de votar. Segundo Biato, o comparecimento dos votantes foi “altíssimo” e as 16 urnas “não estavam dando vazão”.

Eleitores que não votaram

Os eleitores que não votaram devem justificar a ausência pelo e-Título, através do Sistema Justifica, ou encaminhar o formulário Requerimento de Justificativa Eleitoral (RJE pós-eleição) e a documentação comprobatória da impossibilidade de comparecimento ao pleito diretamente à zona eleitoral de sua inscrição, por meio dos serviços de postagens, ou repartições consulares. O prazo é de até 60 (sessenta) dias após cada turno ou, para quem está inscrito no Brasil, no período de 30 (trinta) dias contados da data do retorno ao país.

A justificativa é válida somente para o turno ao qual o eleitor não compareceu por estar fora de seu domicílio eleitoral. Assim, quem deixar de votar no primeiro e no segundo turno da eleição, precisa justificar as duas ausências separadamente. Cada ausência gera um débito com a Justiça Eleitoral, o que pode levar ao cancelamento do título e outras restrições, incluindo a impossibilidade de renovação do passaporte.

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