Dia Mundial sem Carro: cidades europeias lideram ranking das mais ‘bike-friendly’ do mundo

De segunda a sexta, o gaúcho Vanderlei Bonassi (35) tem a mesma rotina: acorda por volta das 7h da manhã para, 30 minutos depois, estar no trabalho. Do local onde reside até a empresa em que atua, no sul de Dublin, são 2,8 quilômetros. Não faltam opções de ônibus para realizar o trajeto, mas com a bicicleta, além de economizar, Vanderlei evita os desgastes gerados pelo tráfego irlandês e chega ainda mais rápido: “Bike é mil vezes mais rápido e não gasta nada. O ‘busão’ demora 40 minutos [para percorrer] o que de bike eu faço em 8 minutos”, explica o brasileiro.

Assim como para Vanderlei, a bicicleta também é o meio de transporte escolhido por milhões de pessoas no continente europeu. Nesta quinta-feira (22), data em que é celebrado o Dia Mundial sem Carro, a seguradora francesa Luko atualizou um levantamento realizado em 90 cidades sobre a acessibilidade para ciclistas. No estudo, a Europa ocupa posição de destaque: das dez localidades mais bike-friendly do mundo, nove ficam em território europeu. Veja abaixo o levantamento completo.

O estudo leva em consideração diversos fatores. Dentre eles, estão o clima da cidade, a taxa de roubos de bicicletas, a segurança, a infraestrutura para ciclistas e também se o local possui ou não um “dia sem carros”, além de outros critérios (conheça todos eles abaixo). 

A cidade holandesa de Utrecht é a mais bike-friendly dentre todas as pesquisadas, de acordo com o estudo. O município holandês soma, ao todo, 77.84 pontos no ranking. A posição, no entanto, não foi conquistada ao acaso. De acordo com a Administração Pública de Utrecht, a cidade foi a primeira a construir uma ciclovia na Holanda, há mais de um século, em 1885. 

Utrecht também conta, atualmente, com o maior estacionamento para bicicletas do mundo, capaz de acomodar até 12,5 mil bikes. Além disso, 56% da população que se desloca à região central da cidade diariamente o faz utilizando uma bicicleta como meio de transporte.

Embora um município holandês esteja no topo do ranking, a Alemanha é o país que mais conta com localidades nas primeiras 10 posições do levantamento. Na vice-liderança do estudo, aparece a cidade germânica de Munster, com 65.93 pontos. Na 9ª e 10ª posições, aparecem Bremen (47.8) e Hannover (46.7), respectivamente.

Dia Mundial sem Carro

Surgido em 1997 no território francês, o Dia Mundial sem Carro foi criado com a proposta de que, na data, os motoristas de veículos automotores busquem alternativas de locomoção, conforme explica o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR). Além da bicicleta, opções de transporte público, como trens, metrôs e também ônibus, estão entre as possibilidades. O objetivo é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades.

Na Europa, diversos locais adotaram, nesta quinta-feira, medidas para estimular o uso de meios alternativos para o deslocamento nas áreas urbanas. Em Berlim, por exemplo, o transporte público foi oferecido gratuitamente durante todo o dia. O sistema de bicicletas compartilhadas também permitiu que moradores da capital alemã utilizassem as bikes sem nenhum custo durante todo o dia. O serviço de bikes também foi gratuito em Dublin, na capital irlandesa.

O CAU/BR afirma que a data é importante porque o “consumo de combustíveis traz, consequentemente, mais poluentes para a atmosfera, principalmente, o gás carbônico (CO2), considerado por muitos especialistas um dos principais responsáveis pela intensificação do efeito estufa e o agravamento do aquecimento global ocasionando também as mudanças climáticas e as catástrofes ambientais”.

Levantamento completo e metodologia

Para determinar a pontuação de cada cidade, a seguradora Luko utilizou diversos critérios. Na categoria clima, foram consideradas as horas diárias de sol, a frequência e volume de chuvas durante o ano e a quantidade de temperaturas extremas (abaixo de 0°C e acima de 30°C) no período de 365 dias.

O estudo também utilizou dados de diversas fontes para determinar a porcentagem da população que utiliza bicicleta como meio de transporte nas cidades analisadas. No fator crime e segurança, foi considerado o total de mortes de ciclistas por motivos de ocorrências de trânsito ou roubo. Na categoria acidentes, os pesquisadores analisaram a taxa por 100 ciclistas envolvidos em acidentes que resultaram em ferimentos graves ou leves.

O estudo considerou ainda a porcentagem de bicicletas roubadas para cada 100 mil ciclistas, o número de lojas destinada a bicicletas em cada cidade analisada, além da malha cicloviária e dos investimentos no setor pelos municípios pesquisados. Por último, o ranking também coloca em vantagem as cidades que possuem companhas para encorajar os motoristas a evitarem o uso de carros por, pelo menos, um dia no ano.

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