Certificado de vacinas do Brasil limita passeios de turistas na Europa

Na França, exames são necessários para diversos locais turísticos. Foto: Canva


Após ter o sonho de conhecer a França adiado por causa da pandemia, a brasileira Elisângela Leite Oliveira conseguiu visitar a Cidade Luz neste mês. Apesar da alegria em viajar a um dos destinos mais procurados da Europa, a necessidade de fazer vários testes Covid-19 para ter acesso aos locais turísticos deixou a brasileira frustrada: “Tirou um pouco o brilho da viagem, fiquei aflita por não termos tratamento igualitário, mesmo vacinados”, explica a turista, que diz ter partido da França para Espanha com “lágrimas nos olhos” depois de tantos testes.

Mesmo com a reabertura gradual para brasileiros e a aceitação de certificados de vacinação para entrada, diversos países europeus passaram a exigir os documentos para acesso a restaurantes, cafés e museus. Como o sistema de leitura é informatizado e os certificados do Brasil não são reconhecidos digitalmente na Europa, a situação pode dificultar a viagem dos turistas, que precisam de uma série de exames negativos para acesso aos locais. 

Além da França, que foi um dos primeiros países a liberar a entrada de viajantes vacinados, com exceção dos imunizados com CoronaVac, a Holanda também passou, neste sábado (25), a exigir o certificado de vacinação para acesso a bares, restaurantes, café e outros locais tradicionalmente visitados por turistas, como museus e teatros. O país está aberto aos viajantes do Brasil, que precisarão dos testes para a visita.

Na Irlanda, o documento digital também é item essencial para entrada em espaços fechados e restaurantes. No entanto, o país aceita os certificados de países de fora da UE, desde que a vacina seja reconhecida pelo regulador europeu. Com a medida, os turistas brasileiros vacinados com CoronaVac ficam sem acesso aos locais. A medida chega ao fim do dia 22 de outubro, quando o país deixará de exigir a certificação para entrada nos estabelecimentos.

Em Portugal, a certificação também é necessária para check in em hotéis e na área interna de restaurantes aos finais de semana, obrigando os milhares de brasileiros que viajaram para o país desde o início de setembro a realizarem os testes. No entanto, o governo anunciou na última quinta-feira (23), que a obrigatoriedade chega ao fim no dia 1° de outubro. O documento continuará necessário apenas para acesso às casas noturnas, que poderão reabrir.

Na Suíça, a partir de 10 de outubro, só serão aceitos os certificados padrão reconhecidos pelo governo, segundo informações oficiais do Conselho Federal Suíço. De acordo com as regras do país, os turistas que visitam a Suíça não podem fazer a solicitação do certificado, que somente é permitido para as pessoas com, pelo menos, uma autorização de estadia profissional no país.

Já a Bélgica, que voltou a receber turistas brasileiros no início do mês, discute a ampliação do uso de certificados de vacina para “locais públicos”, de acordo com comunicado oficial. A partir do dia 1° de outubro, já está confirmado pelo governo que a certificação será necessária para casas noturnas.

“Certificado brasileiro é seguro e confiável”

Em resposta ao Agora Europa, o Ministério das Relações Exteriores informou que o certificado brasileiro “contém informações precisas sobre os dados de vacinação, é seguro, confiável, e sua legitimidade é facilmente verificável”. O documento está disponível também em inglês e espanhol.

O Itamaraty argumenta que “a diplomacia brasileira tem buscado alcançar entendimento comum e possível reconhecimento mútuo dos certificados nacionais de vacinação com diversos países”. As autoridades brasileiras ainda relatam que todas as Embaixadas do Brasil no exterior transmitiram informações sobre o documento e modelos oficiais às autoridades competentes locais. 

Além disso, o ministério destaca que “foi organizado em agosto evento de apresentação do mencionado documento às embaixadas, repartições consulares e organismos internacionais residentes em Brasília, que contou com a participação de representantes do MS”. O Itamaraty ainda reforça que tem realizado negociações  “para que todos os países reconheçam o certificado de vacinação brasileiro emitido pelo ConecteSUS e que todas as vacinas aprovadas pela OMS, inclusive Coronavac, sejam aceitas”.

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