Alemanha propõe cota obrigatória de mulheres à frente de empresas

Proposta é de pelo menos uma mulher em conselhos administrativos com mais de três pessoas.
Foto: Wocintech / Unsplash


Com o objetivo de avançar na luta pela igualdade de gênero no mercado de trabalho, o Governo da Alemanha propôs uma lei que determina que todas as grandes empresas do país tenham uma cota de participação feminina no conselho administrativo. Assim que aprovada, a medida será válida para todas as companhias privadas ou estatais com mais de três pessoas no conselho.

A previsão é de que a iniciativa contemple cerca de 160 empresas do país, sendo que em mais de 90 companhias alemãs, o Governo detém mais de 50% do capital. Atualmente, cerca de 70% das empresas germânicas não possuem a participação de mulheres nos cargos de decisão.

Mesmo que ainda precise ser aprovada por parlamentares, representantes do alto escalão já comemoram a finalização da proposta como uma vitória. O país possui um governo de coalizão e, por isso, o apoio entre diferentes partidos foi construído e culminou com a aprovação interna do Governo nesta semana.

Conforme a ministra da Família, Franziska Giffey, a ação do estado se faz necessária, pois as empresas não colocaram cotas em prática de maneira voluntária: “Já olhamos os últimos anos. Muito pouco é feito voluntariamente e vai muito devagar. Os novos regulamentos criam mais força vinculativa”, explicou em comunicado.

Promoção de jovens mulheres

Para Franziska, a participação das mulheres garante mais sucesso aos negócios: “Mulheres qualificadas em gestão enriquecem os negócios e a vida profissional, são modelos e fazem a diferença para todos os funcionários. Está provado que você garante mais sucesso”, relatou. A ministra da Justiça, Christine Lambrech, também declarou estar satisfeita com o projeto de lei e que beneficiária a promoção de jovens mulheres. O ministro das Finanças, Olaf Scholz, comemorou o passo dado nessa quarta (6): “Os conselhos de empresas sem mulheres estão desaparecendo. A cota está chegando”, escreveu.

O governo já adiantou que, caso a lei seja aprovada, as empresas que não cumprirem a determinação “podem esperar sanções”. A ministra Franziska Giffey enfatizou ainda que a meta é ir além, garantindo participação de 50% de mulheres em posições de liderança até 2025 e aumentar a presença feminina nas forças armadas alemãs.

A ação faz parte de um plano para igualdade de gênero, apresentado em julho do ano passado, em conjunto com a chanceler Angela Merkel. No entanto, a proposta da participação nos conselhos é ainda mais antiga e está em debate no país há mais de cinco anos. Em 2016, a Alemanha já havia aprovado uma lei para que as empresas aumentassem a presença de mulheres em cargos administrativos em 30%, mas sem que houvesse sanções.

Mesmo que o país seja governado pela mulher considerada a mais poderosa do mundo, a Alemanha possui 35% de mulheres nas chefias do serviço público federal e quanto mais alto o nível hierárquico, menor a proporção feminina.

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