Deputados aprovam retorno de Leo Varadkar ao cargo de primeiro-ministro da Irlanda

A Câmara dos Deputados irlandesa (Dáil) aprovou o retorno imediato de Leo Varadkar ao cargo de primeiro-ministro (Taoiseach) do país neste sábado (17). A transição de comando já estava prevista desde junho de 2020, quando o até então Taoiseach, Micheál Martin, assumiu o cargo mediante um acordo entre os maiores partidos do país, Fianna Fáil e Fine Gael, além da contribuição do Partido Verde (Green Party, nome original em inglês).

O retorno de Varadkar ao posto de primeiro-ministro foi consentido por 87 deputados (Teachtaí Dala) contra 62 votos contrários no início da tarde de hoje (17). Esta é a segunda vez que o líder do partido Fine Gael ocupará o cargo mais alto do país, que também comandou entre 2017 e 2020.

No discurso de posse, Varadkar destacou a necessidade de ampliar e democratizar o acesso à moradia no país. O líder irlandês também reforçou o compromisso do governo com a busca pela redução do número de pessoas em situação de rua na ilha. No último dia 25 de novembro, o Departamento de Habitação reportou 9.235 residentes do país vivendo nessa condição na Irlanda. Desses, 17% são jovens entre 18 e 24 anos:

“Então, quais são os desafios para os próximos 100 anos? Nós temos muitos, e alguns deles nós precisamos consertar agora. Caso contrário, estaremos traindo a geração atual e as gerações que vierem depois de nós. Estou pensando particularmente sobre moradia e como todos nós devemos fazer de tudo para superar o [problema de] sem-tetos e a busca pela casa própria”. Nós devemos acelerar o plano Habitação para Todos, fazer a [direito à] casa própria uma realidade para todos novamente” – reforçou o novo Taoiseach.

Varadkar também prometeu trabalhar no combate à redução do custo de vida no país. De acordo com o último relatório do Escritório Central de Estatísticas da Irlanda (CSO, sigla em inglês), o índice de preços ao consumidor (IPCA) acumulado fechou em 9,2% no mês de outubro. Esse foi o 13° mês consecutivo em que o IPCA anual ficou acima dos 5% na Irlanda, destacou o CSO.

Transição de poder

A posse de Leo Varadkar ocorreu após o então primeiro-ministro, Micheál Martin, entregar a carta de renúncia ao cargo de Taoiseach nesta manhã. A decisão de Martin foi aceita pelo presidente do país, Michael Higgins, e a responsabilidade de escolher o novo Taoiseach passou à Câmara dos Deputados. 

O acordo para a posse de Varadkar, no entanto, já estava definido pelas maiores bancadas da Câmara, Fianna Fáil e Fine Gael, o que se confirmou na votação dos deputados. Agora, Leo deve permanecer no cargo até 2025, quando novas eleições gerais estão previstas para o país.

Entenda por que a Irlanda alternou os primeiros-ministros

Após 4 anos governando com minoria no Dáil Éireann e frente aos acordos do Brexit, especialmente, com a Irlanda do Norte, Leo Varadkar solicitou, em janeiro de 2020, a dissolução da Câmara dos Deputados e a realização de uma nova eleição geral. O pedido foi aceito pelo ainda presidente Michael Higgins e, no dia 8 de fevereiro daquele ano, o novo pleito elegeu 160 deputados (TDs) para o 33º Dáil.

Ao contrário do que previa Varadkar, no entanto, o partido do líder irlandês (Fine Gael) foi o maior derrotado daquelas eleições. Pela primeira vez em cem anos, os dois partidos mais votados não foram Fianna Fáil ou Fine Gael. A grande surpresa ficou por parte da sigla de esquerda, Sinn Féin, que obteve 37 cadeiras na Câmara, ficando atrás do Fianna Fáil, com 38, e à frente do Fine Gael, de Varadkar, com 35 posições.

A partir da composição do novo Dáil, 4 nomes foram lançados para assumir o cargo de Taoiseach, incluindo o de Leo Varadkar. No entanto, o resultado das votações foi inconclusivo. No dia 20 de fevereiro de 2020, Varadkar renunciou ao cargo, pedido que foi acatado por Higgins. O Taoiseach, no entanto, permaneceu na posição até a escolha do novo primeiro-ministro, que só ocorreu em junho daquele ano.

Com a necessidade de atingir 80 votos, mas apenas 73 cadeiras no Dáil, Fianna Fáil e Fine Gael tiveram de buscar apoio do Green Party para conseguir formar um novo Governo. Da união das 3 siglas, surgiu o nome de Micheál Martin (Fianna Fáil) e um plano de sucessão. A partir disso, as siglas definiram que Micheál assumiria o posto mais alto da política do país, mas, em dezembro de 2022, como confirmado hoje, Leo Varadkar retornaria ao cargo para dar continuidade ao trabalho iniciado em 14 de junho de 2017.

Durante a gestão de Micheál, Varadkar assumiu a posição de Tánaiste irlandês, que equivale à função de vice-primeiro-ministro no país. Leo também liderou o ministério de Negócios, Empresas e Inovação. O mesmo passa a ocorrer agora com Micheál na gestão de Varadkar. Martin já foi indicado para o cargo de Tánaiste e também deve liderar um ministério no governo de Leo.

Compartilhar