Com 208 mil casos em um dia, França bate recorde da pandemia na Europa

Não mais uma onda, mas um “tsunami”. Assim definiu o ministro da Saúde da França, Olivier Véran, na tarde desta quarta-feira (29), ao atualizar o índice recorde de infecções pela doença no país que, segundo o líder, está relacionado à variante Ômicron do coronavírus. Frente à Assembleia Nacional, Véran revelou a marca de 208.099 novos casos na França nas últimas 24 horas, um número inédito não só no país, mas também no continente europeu desde o início da pandemia.

Para exemplificar a influência da mutação sobre os atuais índices da Covid-19 na França, o ministro manifestou que “mais de dois franceses são diagnosticados com Covid-19 a cada segundo”, contabilizando dia e noite. Com números acima de 100 mil infecções nos últimos três dias, Véran frisou que “há provavelmente mais de um milhão de franceses positivos ao coronavírus atualmente”. Apesar de atribuir o recorde à variante Ômicron, o governo francês não divulgou a quantia de pessoas contaminadas com a nova cepa no país.

Durante o pronunciamento, o ministro destacou a importância da vacinação no combate à pandemia e ainda utilizou a oportunidade para defender o projeto de lei que pretende tornar o atual “passe sanitário” francês em um “passe vacinal”. Ou seja, apenas o comprovante de vacinação passaria a ser aceito para acessar restaurantes, cinemas, museus ou até mesmo o transporte entre regiões. Atualmente, pessoas não vacinadas podem acessar estes locais realizando um teste do tipo PCR ou antígeno.

O desejo do governo francês é que a medida entre em vigor já a partir do dia 15 de janeiro. A fim de evitar uma onda de passes fraudulentos, Olivier Véran anunciou que diversos protocolos de segurança serão adotados para garantir a verificação dos documentos. Além disso, a multa por utilização de um certificado de vacinação fraudulento passará de 135 euros para 1.500 euros de acordo com a nova proposta.

Os números de hospitalizações pela doença preocupam as autoridades de saúde na França. Atualmente, são 3.469 pacientes em unidades de tratamento intensivo, contra 3.416 registrados no dia de ontem. Ainda, novas 1.949 internações hospitalares ocorreram nas últimas 24 horas, totalizando 17.856 doentes com a Covid-19 em hospitais franceses nesta quarta-feira (29). Em uma semana, as hospitalizações diárias aumentaram cerca de 13%. No total, o país registra 123.200 mortes por coronavírus, contando com as 185 mortes ocorridas nas últimas 24h.

Recorde de casos pela Europa

Além dos números alarmantes em solo francês, outros países europeus também registraram recorde de casos de coronavírus nesta quarta-feira (29). Entre eles, estão Portugal, Reino Unido e Itália.

Em solo português foram registrados 26.867 novos positivos, com 12 óbitos nas últimas 24 horas. No Reino Unido, 183.037 pessoas testaram positivo para Covid-19 em apenas um dia, o que representa 50 mil casos acima do recorde anterior no país, na última terça-feira (28). Além disso, 57 mortes foram registradas.

Na Itália, 98.030 pessoas foram diagnosticadas com coronavírus e 148 morreram em função da doença. Na Irlanda, 14.428 novos casos foram registrados nas últimas 24h, um número inédito no país desde o início da pandemia, e 22 mortes por Covid-19 ocorreram nos últimos sete dias, de acordo com a contabilização do governo irlandês. Na Alemanha, apesar de não ter sido o maior índice apurado, mais de 40 mil novos positivos foram contabilizados no país. As mortes em decorrência da doença no território germânico, no entanto, chegaram a 414 em apenas um dia.

Redução do confinamento na Espanha

Curiosamente, em meio ao recorde de casos nos países vizinhos, a Espanha decidiu reduzir o tempo de quarentena para as pessoas infectadas com o coronavírus. Desde a manhã desta quarta-feira (29), o isolamento de quem teve o diagnóstico positivo para a doença passa a ser de apenas sete dias e não mais de 10 dias como anteriormente e como é o padrão em diversos vizinhos europeus, a exemplo de França e de Portugal.

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