Vulcão de La Palma já destruiu quase 3 mil construções desde setembro

O fenômeno “pode ser o mais longo dos últimos 500 anos” . Foto: Twitter INVOLCAN

Em erupção há 11 semanas, o vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, não dá trégua e a lava segue deixando um rastro de destruição por onde passa. Nesta terça-feira (30), a boca principal voltou a se reativar após mais uma noite de alta atividade sísmica em toda região, provocando uma nova onda espessa de cinzas, segundo o Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias. Desde o início da erupção, em 19 de setembro, 2.748 edifícios foram afetados ou destruídos, o que inclui os mais variados tipos de construções, como casas inteiras, de acordo com o centro de observação europeu Coperniucus.

O Instituto Geográfico Nacional (IGN) localizou 121 terremotos em La Palma somente durante esta madrugada, dos quais um atingiu magnitude 4,1. Para Víctor Melo, presidente da Associação Vulcões das Canárias, “ainda há muita pressão subterrânea em nível de profundidade, o que provoca importantes terremotos e o surgimento de novas bocas de lava”. O Plano de Emergência Vulcânica das Canárias (PEVOLCA) avalia que o fenômeno “pode ser o mais longo dos últimos 500 anos”.

Há dois meses, as bocas de lava chegaram ao mar, ampliando a área da ilha em mais de 50 hectares, segundo dados do Ministério de Transportes e Mobilidade Urbana. O último monitoramento do satélite europeu Coperniucus sobre a área atingida pelo vulcão de La Palma, com dados contabilizados até essa segunda-feira (29), apontou que a lava cobria, até o momento, um total de 1.147,7 hectares. O número é seis vezes maior do que o registrado uma semana após a erupção. Até o momento, o vulcão arrasou 349 hectares de plantações de bananas, uvas e abacates. Além disso, há outros 600 hectares atingidos pelas cinzas e 90 hectares estão isolados entre as bocas de lava.

De acordo com a última atualização realizada pela gestão de emergências, a emissão de dióxido de enxofre (SO2) também voltou a disparar, com um ritmo entre 30 e 50 mil toneladas expelidas por dia. Por isso, a orientação das autoridades locais aos moradores e visitantes é que usem máscara sempre ao sair de casa.

Além da qualidade do ar, a Inspeção de Saúde Pública de La Palma, vinculada ao Ministério da Saúde, também mantém constante vigilância da água para consumo humano. Os controles são feitos diariamente nas regiões adjacentes à área afetada pela erupção. A amostragem é realizada tanto nas áreas afetadas pela erupção, como Tazacorte, Los Llanos de Aridane e El Paso, quanto nos municípios da encosta leste da ilha, como Santa Cruz de La Palma, Puntallana, Breña Baja, Mazo, Tijarafe e Fuencaliente.

Prejuízos econômicos e ajuda financeira

Os prejuízos econômicos ainda são incalculáveis, especialmente no setor de turismo. As bocas de lava destruíram vários complexos, além de apartamentos e hotéis inteiros e isolou algumas zonas turísticas da ilha, na costa oeste de La Palma. Segundo a secretaria de turismo de La Palma, também há uma grande instabilidade em termos de conectividade aérea, com o cancelamento de voos e fechamento do aeroporto. Nesta terça-feira (30), por exemplo, os acessos à ilha por via marítima e terrestre não estão autorizados.

Em busca de auxílio para a recuperação da ilha, o conselheiro de Turismo de La Palma, Raul Camacho, vai participar de um encontro com membros da Organização Mundial de Turismo (OMT) nesta semana. De acordo com Camacho, o setor é essencial para o desenvolvimento social da ilha e a criação de empregos na região.

A erupção do vulcão, no entanto, ainda atrai turistas. Atualmente, segundo informações do Plano de Risco de Emergência Vulcânica nas Ilhas Canárias (Pevolca), há 528 pessoas hospedadas em hotéis de Fuencaliente,  Breña Baja e Los Llanos de Aridane. E esse número deve aumentar no próximo fim de semana, com o feriado da Constituição, na Espanha.

Também na manhã desta terça-feira (30), o Conselho de Ministros autorizou a aplicação do fundo de contingência para financiar uma ampliação de crédito de nove milhões de euros para atender à concessão de ajudas a entidades locais, famílias e instituições afetadas pela emergência vulcânica de La Palma. Desde o dia em que iniciou a erupção do vulcão, em 19 de setembro, mais de 225 milhões de euros foram destinados pelo governo central para o Plano Especial de Reconstrução de La Palma, que visa a recuperação da ilha através de ajudas e medidas urgentes.

Sete mil pessoas tiveram que deixar suas casas desde setembro e foram acolhidas em residências concedidas pelo governo de La Palma, de maneira emergencial, além de hotéis e centros sanitários. O Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação do Governo das Canárias, Sebastián Franquis, supervisionou, no último 10 de novembro, um terreno de 2.000 metros quadrados para a instalação das primeiras casas modulares, com o objetivo de oferecer moradia temporária às famílias afetadas pela erupção do vulcão Cumbre Vieja. Desde o início da erupção, as equipes da Cruz Vermelha Espanhola atenderam mais de 6.000 pessoas, pertencentes a cerca de 2.000 famílias no total.

Compartilhar