Espanha realiza quase 5 mil transplantes de órgãos em 2021

Em 2021, foram realizados na Espanha, 4.781 transplantes de órgãos. Foto: Lucas Vasques/Unsplash

Apesar das restrições impostas pela pandemia de coronavírus, a Espanha teve um aumento de 8% no número total de transplantes de órgãos realizados no país em 2021, se comparado com o ano anterior. No mesmo período, também houve aumento de 7% na taxa de doações de órgãos no território espanhol. Ao todo, o país realizou 4.781 procedimentos cirúrgicos no último ano. Os órgãos transplantados foram retirados de 1.905 pessoas que se declararam doadoras antes de falecer, e de 324 residentes que doaram, ainda vivos, o rim ou o fígado. Os dados são da Organização Nacional de Transplantes da Espanha (ONT) e foram divulgados nesta semana pelo Ministério da Saúde.

Em 2021, o Programa Nacional de Doação e Transplantes da Espanha alcançou o total de 40,2 doadores para cada milhão de habitantes. Se comparado com o relatório da Organizacão Global de Doação e Transplante, que utiliza dados de 2020, os números registrados pela Espanha no ano passado liderariam o ranking mundial, quem tem os Estados Unidos no topo, com 38 doadores por milhão de habitantes.

Os órgãos doados incluem rim, fígado, pulmão, coração, pâncreas e intestino. Só o transplante de rim de doador vivo cresceu 25% em 2021, um número semelhante ao registrado em 2019, antes da pandemia de Covid-19.

Onze regiões superam os 40 doadores por milhão de habitantes

A ministra da Saúde, Carolina Darias, destacou o trabalho dos profissionais de saúde e da ONT e o apoio de todas as regiões da Espanha que fizeram de 2021 o ano da recuperação em doação e transplante de órgãos. Darias também elogiou a genenoridade da sociedade espanhola: “Isso mostra que a Espanha não apenas endossou sua liderança mundial, mas também mostrou sua capacidade de enfrentar as adversidades com o único objetivo de oferecer aos nossos pacientes a melhor terapia possível”.

Ainda segundo dados da ONT, um total de onze regiões espanholas superam os 40 doadores por milhão de habitantes. No topo do ranking estão Cantabria, que volta a liderar o levantamento com uma taxa de 72,4 doadores por milhão de habitantes, Navarra (62,1), Murcia (52,3), Astúrias (51,5), País Basco (50,7) e Comunidade Valenciana (50,3).

Para a diretora geral da ONT, Beatriz Domínguez-Gil, o aumento de transplantes também se deve ao desenvolvimento de protocolos específicos implantados pela Organização, para avaliação e seleção de doadores e receptores em relação à infecção causada pelo SARS-CoV-2. 

A ação permitiu o transplante de órgãos de doadores que tiveram a doença, incluindo aqueles que seguiram apresentando PCR positivo no momento do falecimento. “A adequação do programa à atual situação epidemiológica permitiu priorizar os pacientes em situação clínica mais grave, bem como os que apresentavam características que dificultavam o transplante, incluindo 159 crianças”, disse Beatriz.

Lista de espera segue ativa

Apesar do crescimento significativo registrado no ano passado, ainda há muitos pacientes em lista de espera na Espanha, aguardando por um órgão. Segundo a ONT, levando em conta os últimos dados coletados em 31 de dezembro de 2021, 4.762 pacientes, entre eles, 66 crianças, aguardam um doador compatível.

Para este ano, o governo espanhol espera atingir a marca de 50 doadores para cada milhão de habitantes e ultrapassar 5,5 mil transplantes, segundo a ministra da Saúde, Carolina Darias. Uma meta que já havia sido planejada, mas que não foi possível nos últimos dois anos devido as dificuldades impostas pela pandemia.

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