Décimo dia da greve dos caminhoneiros gera falta de produtos na Espanha

Já faltam alimentos nas prateleiras dos supermercados em Madri. Foto: Thaís Baldasso / Agora Europa

Reportagem de Amanda Lima e Thaís Baldasso

A greve dos caminheiros na Espanha completou 10 dias, nesta quarta-feira (23), sem um acordo alcançado, causando impacto na distribuição de produtos no país. Nos supermercados, diversos alimentos estão em falta, conforme confirmou o Agora Europa em estabelecimentos de Madri.

Organizações que representam os consumidores no país alertam para os impactos da paralisação: “Numerosas empresas e cooperativas interromperam seus processos de fabricação e são forçadas a fechar temporariamente suas fábricas devido à falta de fornecimento”, destaca a Federação Espanhola das Indústrias de Alimentos e Bebidas. 

De acordo com a entidade, 100 mil empregos na Espanha estão em perigo por causa da greve dos caminhoneiros e que a situação “já é um problema estatal”. A federação apela “com extrema urgência” para o fim da paralisação e que o governo “não perca um segundo na implementação do plano de ajuda ao transporte”.

Em pronunciamento em vídeo nas redes sociais, o líder do movimento, Manuel Hernández, parabenizou os profissionais por terem alcançado 10 dias de paralisação e reforçou o pedido para que mantenham a greve até que as reivindicações sejam alcançadas: “Não é hora de ceder”, afirmou Hernández. O grupo, que inclui, principalmente, profissionais de pequenas e médias transportadoras, possui seis reivindicações. Dentre elas, a aposentadoria aos 60 anos e que o seguro social de formação profissional contemple também os motoristas autônomos e não apenas os assalariados, como ocorre atualmente.

A paralisação, iniciada pela Plataforma para a Defesa do Setor de Transporte de Mercadorias por Estrada, também passou a contar, desde o final de semana, com a adesão da Federação Nacional das Associações de Transporte da Espanha. A categoria protesta, principalmente, pela alta no preço dos combustíveis.

Nesta quarta-feira (23), a ministra dos transportes, Raquel Sánchez, afirmou que uma nova reunião com o setor está marcada para quinta-feira (23): “Estamos totalmente comprometidos. Abordaremos soluções concretas e definidas. Estaremos lá o tempo que for necessário para chegar a um acordo e vamos alcançá-lo”, explicou a ministra.

Na terça-feira (22), para tentar minimizar os efeitos da greve, o governo publicou uma portaria permitindo estender o horário de trabalho dos profissionais que estão trabalhando. Até 27 de março, os motoristas podem dirigir duas horas a mais por dia e o limite de trabalhar 10 horas diárias duas vezes por semana foi suspenso. De acordo com o Ministério dos Transportes, o objetivo é facilitar o “funcionamento normal de certos fluxos de mercadorias para a circulação de matérias-primas para centros de produção, indústrias e na distribuição final de produtos”.

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