Chipre revoga passaportes de investidores estrangeiros milionários

Trinta e nove investidores milionários terão os passaportes suspensos, no Chipre, após uma investigação constatar fraudes na obtenção dos documentos. Outros seis familiares dos suspeitos também terão os “passaportes dourados” cipriotas cassados. A decisão foi aprovada nessa sexta-feira (16) pelo Conselho de Ministros do país. 

A comissão que investiga os crimes não divulgou a identidade ou nacionalidade dos empresários que perderão a cidadania cipriota. No total, 102 casos foram apurados desde a suspensão do projeto ”Cidadania por Investimento”, em 2020. Segundo a iniciativa do governo do Chipre, criada em 2003, estrangeiros milionários teriam acesso facilitado à cidadania. De acordo com as regras do programa, para concorrer ao chamado ”visto dourado”, seria necessário investir, no mínimo, dois milhões de euros em propriedades imobiliárias do país. A promessa de serem naturalizados em até seis meses dava direito à cidadania europeia, com livre acesso aos 27 países da União Europeia. 

Segundo o comunicado oficial do governo, além da revogação dos 45 passaportes, foi anulada a decisão de naturalização de um investidor e familiar que estavam pendentes. O Conselho de Ministros ainda determinou a apuração de seis novas denúncias.

Mais de seis mil passaportes foram emitidos durante o programa de cidadania por investimento do Chipre. Entre as denúncias, no ano passado, estão a concessão de cidadanias a milionários com antecedentes criminais em seus países de origem.

Diante das suspeitas de fraude que desencadearam as investigações, em 2020, a Comissão Europeia se pronunciou através do porta-voz Christian Wigand: “A presidente von der Leyen foi clara ao dizer que os valores europeus não estão à venda. A Comissão tem manifestado frequentemente sérias preocupações com os esquemas de cidadania por investimento, diretamente junto das autoridades cipriotas’’, declarou. 

A decisão do Conselho de Ministros, na última sexta-feira (16), será notificada formalmente à Comissão Europeia.

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